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Tive que sair à rua e quase morri!

29 Abril, 2020

Hello!

A semana passada saí pela 3.ª vez neste meu isolamento social. Das outras duas vezes foi para uma consulta e, como era por questões de saúde, achei por bem cumprir com a agenda dos médicos e não acabar por morrer de outra coisa qualquer. Desta vez precisei de ir ao banco ( foi bom porque fui depositar cheques, lol) e precisei de ir ao hipermercado. Até aos dias de hoje sempre me tinha remediado com os amigos, família e mercearias locais. Mas, inevitavelmente precisava de ir ao hipermercado buscar aquelas coisas que, quer queiramos quer não, existem é mesmo lá.

Tinha recebido uma sms nessa semana a informar que o  hipermercado ia estar aberto a partir das 8:00h. Achei que era uma boa altura para eu lá estar plantada à porta, e ainda ter tempo para desinfetar o carrinho até às rodas…. e assim foi. 7:20h estava no banco a depositar os cheques e às 7:45h estava no porta do hipermercado, que nem maluquinha à espera da melhor promoção da semana com stock limitado. Não era a única e ainda troquei umas palavras (não acesas) com duas senhoras que lá estavam e me disseram que eram as primeiras só que se tinham enganado na porta que ia abrir. Deixei-as passar à minha frente pois tinha a certeza que aquilo que eu precisava com mais urgência devia de sobrar para as duas :).

Não corri nos corredores do supermercado que nem louca à procura do ultimo tamanho ou artigo para comprar mas estava constantemente a desinfetar as mãos, com a minha máscara colocada, e sempre com receio de ver de facto a cara do filho da mãe do bicho que nos está a obrigar a este isolamento forçado.

Tenho a sorte (no meio de tanta gente que tem que sair para trabalhar com medo, ou até mesmo ficou sem emprego) de poder estar em teletrabalho e a acompanhar os meus filhos em casa. Sim, este assunto dá pano para mangas e pode ficar para outro artigo mas, no meio de tanta confusão aqui em casa, horários das aulas, teletrabalho e ainda uma miúda com 2 anos para tratar, sinto-me abençoada por estar a correr tudo bem.

Mas, e voltando ao tema deste artigo, quase que morri pois estava cheia de medo de estar na rua. Eu, pessoa que todos os dias saía de casa para trabalhar e levar e buscar miúdos ao colégio, senti-me uma completa hipocondríaca relativamente ao vírus e achava que ele estava em todo o lado, em todos os objetos e a pairar em todo o lado. É de facto um medo terrível incutido nas pessoas e, confesso, se soubesse que os sintomas do vírus em mim seriam de uma gripe normal típica de inverno, e que isso me daria a imunidade, juro-vos que preferia apanhar o raio do COVID e depois fazer a minha vida normal e ponto final. Este medo que sentimos, e que acabamos por incutir a todos os outros está a dar cabo de mim. O facto de estar limitada nas minhas ações e tarefas está a fazer-me sentir-me um pouco inútil e a fazer sentir-me uma super-mãe…. sim, claro, mas quem é feliz só a fazer isso enquanto sente que pode e tem muito mais para dar e fazer.

Espero que o tempo de confinamento que é preciso para isto tudo amainar passe rápido e possamos, todos juntos, obter um grande ensinamento disto tudo…. o que acho muito difícil acontecer….

Keep in touch,

E.R.

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