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A ENTREVISTA À CRISTINA AZEVEDO.

16 Maio, 2016

Hello Everyone!

Tal como já tinha informado aqui ia dar inicio a um espaço de entrevistas a amigos, colegas e outras pessoas que de alguma forma se tinha cruzado na minha vida.

A minha primeira entrevista/conversa é com uma amiga de longa data que conheci há cerca de 20 anos atrás (como o tempo passa). Ela também é engenheira do ambiente e tem dua filhas. O convite foi bem aceite e, sem medo, bora lá Cristina!

  1. Qual é tua relação profissional com o ambiente

É uma relação ambientalmente positiva J. Foi a área profissional que optei por estudar há cerca de 19 anos, numa altura em tomei maior consciência dos problemas ambientais. Acima de tudo porque acredito que podemos fazer melhor todos os dias por um mundo mais sustentável.

Felizmente, poder trabalhar na área da indústria permite-me ter contacto com a gestão ambiental a vários níveis (resíduos, emissões gasosas, águas residuais, etc.) e contribuir para essa realização pessoal, profissional e ambiental.

2. Se a tua profissão não estivesse ligada ao ambiente o que achas que poderias estar a fazer neste momento?

Actualmente complemento as minhas responsabilidades ambientais com a parte da segurança e saúde ocupacional no trabalho.

Gosto muito do que faço, mas se a minha vida tivesse seguido outro rumo, estaria ligada à área da saúde animal, ao artesanato com reutilização de materiais ou à fotografia que também é um hobby que gosto

3. Não havendo qualquer impedimento financeiro ou de outra ordem, o que mudavas no ambiente atualmente?

Acho que tudo passa pela necessidade de alterar determinadas atitudes comportamentais na sociedade. Mudar atitudes requer investimento na educação. Já se promove bastante a informação e a sensibilização mas ainda é preciso educar através da criação de hábitos e interiorização da importância desses hábitos.

É preciso ir mais além e cativar a atenção das pessoas para aquilo que é um problema de todos. Se percebermos que pequenos gestos podem fazer a diferença, então teremos uma sociedade consciente e predisposta a exercer uma cidadania plena na preservação do ambiente.

Para isso é importante que a comunicação seja simples, cativante e acima de tudo esclarecedora.

4. Achas que devemos incentivar quem separa os seus resíduos devidamente, ou penalizar quem não o faz?

Acho que devemos incentivar quem faz a separação de resíduos e continuar a educar a sociedade para o benefício que advém dessa atitude.

Infelizmente, há situações em que o ser humano funciona ao contrário! Ou seja, é necessário impor uma regra e penalizar o incumprimento para depois se complementar com a importância de o fazer.

Fazemos melhor quando entendemos a razão/benefício. Neste caso, se a sociedade perceber qual a importância de pequenos gestos diários e como isso se pode reflectir no nosso futuro ambiental, então deixa de ser necessário a imposição de uma regra e passa a ser um hábito – algo em que acreditamos e que fazemos automaticamente, sabendo que estamos a contribuir para um mundo mais sustentável.

É como a proibição de uso de telemóvel durante a condução: sabemos que é responsável por centenas de acidentes todos os anos mas ainda há uma percentagem elevada de pessoas que ‘facilita’ porque acha ‘que só acontece aos outros’. No entanto, se as multas forem elevadas já é um elemento dissuasor para não se usar…até percebermos qual o verdadeiro benefício de não o usarmos durante a condução!

5. Ao longo do teu percurso como «amiga do ambiente», já te deparaste com alguma situação caricata em que te apeteceu discutir/chamar a atenção de algum prevaricador ambiental?

Nem sempre é fácil chamar a atenção das pessoas numa situação dessas. Tento sempre ser educada e correcta, mas às vezes as pessoas surpreendem-nos pela falta de educação e civismo.

Já me aconteceu ver uma pessoa sentada num banco de jardim, que a dado momento, atira um papel para o chão. Dirigi-me a ela e sem dizer nada, apanhei o papel e coloquei-o na papeleira que estava a uma distância aproximada de 3 metros. O olhar da senhora acompanhou-me sempre, e durante o meu percurso de regresso fixei-a nos olhos. Ela percebeu e envergonhada disse-me: ‘peço desculpa’.

Quero acreditar que a minha atitude tenha feito a diferença e que a senhora tenha percebido a mensagem.

6. Que conselhos darias para que este blogue se tornasse uma referência nacional em termos ambientais?

Tenho acompanhado a maioria dos posts e agradam-me por serem simples na mensagem, terem informações curtas e acima de tudo esclarecedoras. Acho que esse é o caminho certo!

Nos dias que correm somos ‘bombardeados’ com muita informação, e por isso é essencial divulgar mensagens curtas mas o mais directas possível.

É importante abordar temas com que a maioria das pessoas se identifica e estar atento aos motivos que se utilizam para não serem participativos nestas áreas. Gostei particularmente do post ‘As desculpas de quem não quer reciclar’…porque é frequente confrontarmo-nos com amigos, vizinhos ou familiares que utilizam esse tipo de argumentos.

Para além disso é fundamental dar a conhecer à sociedade a diversidade de empresas que contribuem para a melhoria da gestão ambiental, ou o que as empresas de reciclagem fazem com os resíduos que separamos, envolver as pessoas nos benefícios ambientais alcançados, divulgar dicas úteis para o dia-a-dia e também o incentivo de práticas que contribuem para a redução de custos na nossa casa/local de trabalho.

7. Sem qualquer consequência para ti, o que dirias/farias a uma pessoa que fosse a conduzir mesmo à tua frente e deitasse pela janela uma embalagem de iogurte?

Gostava de ter um ‘super poder’ para mudar a mentalidade de pessoas como essa que descreves. Tenho uma dificuldade enorme para entender a falta de respeito e/ou o que leva alguém a ter uma atitude dessas. Será que acham que é isso que está correcto? Em casa também deitam o lixo para o chão? Se os filhos deles tivessem essa atitude ficariam indiferentes perante esse comportamento? É isso que lhes ensinam? Não consigo entender!!!

Se a embalagem que sai da janela do carro pudesse ‘ganhar vida’, daria meia-volta, entrava na janela e inundava o interior da viatura com uma mistura de iogurte azedo e mal cheiroso. Era uma grande lição… J

8. Abdicarias do teu banho diário, se para isso poupasses 10 euros por semana?

Não (risos). Não sou radical a esse ponto. Prezo muito o meu banho diário. J

Acho é que podemos evitar determinados comportamentos de desperdício de água, tal como estar demasiado tempo com a água do duche a correr (embora saiba muito bem) ou com a torneira aberta durante o tempo em que lavamos os dentes.

A tecnologia ambiental tem desenvolvido soluções que contribuem para evitar desperdícios. Actualmente já existem no mercado muitos dispositivos que permitem a redução do consumo de água e o reaproveitamento deste recurso natural.

Não temos de nos sacrificar desmedidamente. Há que ter bom senso.

9. Elenca dois ou três hábitos diários que tens e que não vão de encontro a um desenvolvimento sustentável?

Orgulho-me de ter muitos hábitos diários que contribuem para um desenvolvimento sustentável e encorajo essas atitudes nas minhas filhas (de 4 e 8 anos). Elas sabem fazer a separação dos resíduos e não é uma ‘chatice’.

Incentivo-as na poupança de energia privilegiando o uso de iluminação natural, aliando isso à vantagem na redução de custos na factura ao final do mês.

Nas compras de supermercado, prefiro sempre a aquisição de embalagens familiares (menos quantidade de resíduos produzidos) e nunca desperdiço comida.

Posso dizer mais umas? O respeito pela natureza, pelo espaço comum e pelos animais.

Espero que tenham gostado. Já agora, e porque nunca é demais agradecer, obrigada à Cris e ao Miguel por terem feito mais de 300 Kms para estarem na inauguração do blog. Sabiam que era importante para mim e como tal não falharam. Obrigada por tudo e obrigada por estarem sempre desse lado.

Keep in touch,

E.R.

 

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