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Entrevista a Amaya Guterres!

22 Março, 2017

Olá,

Para mim ela é Maria! Foi minha companheira nas brincadeiras e traquinices da infância, no tempo em que não prevalecia a tecnologia e dávamos asas à imaginação, criávamos o nosso mundo com o que arranjávamos lá por casa da avó ou por onde estivéssemos. Fazíamos tesouros com objetos valiosos, rabos de coelho, ossos e pedras com feitios engraçados. Nos muros lá conseguíamos desencaixar uma pedra e esconder o nosso tesouro. As brincadeiras eram divididas entre o Monte Faro, onde ela vivia e nas muralhas de Valença onde vivia a nossa avó, ambos locais propícios à aventura. Se no verde da montanha fazíamos de conta que nos perdíamos, nas muralhas corríamos à procura dos tesouros dos tempos passados e em tempos enterrados, e nós princesas guerreiras procurávamos moedas de ouro algures esquecidas nas batalhas entre portugueses e galegos!

Hora do lanche e correria até casa dos avós, à nossa espera o pão com chocolate Farruco ou com a inesquecível geleia da avó. “Roubávamos” sapatos de tacão e roupa do armário da nossa tia, fazíamos desfiles e tínhamos namorados imaginários (aqui costumava haver chatices, pois ambas queríamos namorar com o mesmo Joey Tempest, vocalista dos Europe). Hora da cantoria e guerra instalada no debate eu canto melhor que tu, tu cantas pior do que eu, e no interfone de casa da avó, que estava voltado para a rua mais movimentada das muralhas…. aí estávamos nós com o nosso programa onde soavam as canções da Linda de Suza…ahahahah…cantadas por nós… os turistas espanhóis riam de loucura com o show gratuito.

Poderíamos imaginar a sair duma cozinha uma mulher roliça, desengraçada e mal asseada, mas não, da cozinha tenho o prazer de vos apresentar a chef mais bonita, jeitosa e super fashion de Portugal. É a cara da marca Prochef Woman e para o mundo ela é Chef Amaya Guterres, uma conceituada e lutadora mulher no Mundo da cozinha nacional, com apenas 15 anos foi para Santa Maria da Feira para integrar o Curso Profissional de Cozinha e Pastelaria. Terminou com 18 anos e foi para FERRANDI (Escola Superior de Cozinha, em Paris, considerada das melhores escolas do mundo em gastronomia), onde estudou Organização de Eventos e Catering. Terminado o curso o seu regresso a Portugal é para o Porto onde integrou o a equipa Solinca – Eventos e Catering. Mais tarde integrou a equipa de docentes do curso profissional de cozinha na EPRAMI de Monção. Nasce entretanto a Quinta do Prazo, https://pt-pt.facebook.com/quintado.prazo um lugar de sonho e uma referência na zona minhota, destinado a eventos e já lhe valeu a atribuição do “GARFO DE OURO do Guia Boa cama, Boa Mesa” do Expresso.

Na sua cozinha, aposta na inovação, diretamente relacionada com a sua pessoa, realça a cozinha tradicional minhota e adora experimentar coisas novas e alternativas. Defino-a como insatisfeita, no melhor dos sentidos, pois não pára e quer sempre mais. Tem fascínio pelo cake design, com inúmeras formações a este nível, faz uns bolos além de saborosos são uma expansão à sua criatividade.

Trabalha como consultora em alguns locais como ESTAÇÃO 1882, na padaria Lionesa no Porto. Está no projeto DOWNCOOKING, onde dá aulas de cozinha para meninos com síndrome de Down.

Para além de imparável é casada e mãe de quatro rapazes. Posso dizer que é a mãe com o sentido mais prático que conheci.

Se tivesses que ter uma profissão relacionada com o ambiente, o que gostarias de ser?

Ativista contra a exploração animal.

Qual é a tua relação com o Ambiente no dia-a-dia?

Tento ser o mais justa e correta possível. Mas suponho que poderia fazer muito mais… podemos fazer sempre mais…

Não havendo qualquer impedimento financeiro ou de outra ordem, o que mudavas no ambiente atualmente?

Todos sabemos que o mundo consome carne para além das suas possibilidades e o impacto que isso tem no meio ambiente é devastador.

Tentaria sem dúvida mudar mentalidades e incentivar as pessoas a consumirem outro tipo de produtos e ter uma alimentação mais equilibrada e saudável.

Achas que devemos incentivar quem separa os seus resíduos devidamente, ou penalizar quem não o faz?

Devemos incentivar quem separa os seus resíduos e continuar com o trabalho de consciencialização de quem ainda não o faz. Porque apesar de em muitos locais a separação estar a funcionar muito bem. Em outras ainda há muito trabalho por fazer.

Já te deparaste com alguma situação caricata em que te apeteceu discutir/chamar a atenção de algum prevaricador ambiental

Sim. O que mais me irrita é aquelas pessoas que vão ao restaurante e pedem comida como se o mundo fosse acabar e depois deixam metade na travessa!!  O desperdício alimentar é sem dúvida um dos maiores problemas ambientais do nosso país… mas parece que ninguém vê?!

Que conselhos darias para que este blogue se tornasse uma referência nacional em termos ambientais?

Continuem assim. Vão no bom caminho. Os casos práticos e o facto de mostrarem ás pessoas coisas que podem fazer no dia a dia para tornarem o mundo um pouco melhor faz toda a diferença!!  Eu já comecei a por em prática algumas coisas que aprendi com vocês.

Sem qualquer consequência para ti, o que dirias/farias a uma pessoa que fosse a conduzir mesmo à tua frente e deitasse pela janela uma embalagem de iogurte?

Não dá para fazer muito. De que serve apitar ou gritar… o que sim seria importante é que as multas e as penalizações na carta de condução também funcionassem nestes casos.

Tens que fazer uma ação de sensibilização ambiental, quem escolherias para ser público-alvo e o que dirias?

Os jovens e as crianças. São o nosso futuro, e elas melhor que ninguém para aprender e posteriormente até nos ensinar.

Tentaria criar algum impacto através de casos práticos… por a mão na massa!!

Abdicarias do teu banho diário, se para isso poupasses 10 euros por semana?

Decididamente não. Quem trabalha todos os dias numa cozinha precisa de um bom banho ao fim de um longo dia de trabalho.

Elenca dois ou três hábitos diários que tens e que vão de encontro a um desenvolvimento sustentável?

Em casa optamos por uma alimentação diferente. Cada vez comemos menos carne e produtos transformados e damos mais importância a produtos do dia, de confeção própria e consumimos mais cereais, frutas e legumes.

No trabalho fazemos a separação de resíduos e não consumimos água de rede. Temos uma estrutura própria de abastecimento tanto para consumo como para rega.

Reciclamos mobiliário antigo, latas, frascos de vidro e muitos outros elementos que utilizamos na decoração dos nossos eventos.

foto Amaya

 

 

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Obrigado Amaya pela tua disponibilidade e colaboração,

Brevemente traremos mais novidades https://pt-pt.facebook.com/quintado.prazo

Fique desse lado, Até já

D.G.

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