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A nossa pipinha já tem 2 anos!

11 Fevereiro, 2020

Hello!

Há 2 anos atrás estava tudo combinado para te conhecermos. Tinha que estar no hospital CUF às 6h para te conhecermos perto das 8h. A médica estaria em consultas às 9h e como tal, antes disso, ainda ia ajudar-te a nascer. Estava ansiosa e receosa pois só te íamos conhecer no fim de semana seguinte mas, por coisas da própria gravidez, a Dr.ª Florbela decidiu que terias que sair mais cedo 1 semana. E só soube isso na véspera. Fui a casa tratar de tudo, o pai ainda foi trabalhar de tarde dessa quinta feira e no dia seguinte, na sexta feira, teria que lá estar bem cedinho. Dormi poucas horas, dei muitos beijinhos aos teus irmãos, arranjei quem levasse o Salvador ao colégio e o João ficou com a avó. Tudo planeado para te recebermos. Foste muito desejada e muito planeada. Irias ser a menina do papá e da mamã também. E que felizes estávamos.

Todo aquele aparato, todos aqueles bip’s que se ouvem no bloco operatório, a chegada do teu pai à minha beira, as palavras do anestesista a da obstetra que me estava a operar, as mãos que me tremiam, o meu reflexo nas lâmpadas da sala, as lágrimas que me caíram quando te pude dar um beijo e estavas no meu colo enfim, tudo mesmo foi vivido com mais intensidade do que os outros irmãos. Já sabia para o que ia, o medo era o mesmo, a minha idade não me preocupava e, saudável como sempre fui, achei sempre que nada poderia correr mal. Mas correu! Minutos depois de saíres da minha beira para te vestirem e fazerem os primeiros exames sentiste dificuldade em respirar. Nos primeiros 10 minutos, segundo a neonatolgista, o teu índice de APGAR foi nota máxima, mas depois ficaste fraquinha e estavas aflita para respirar. O pai foi um herói e disse-me tudo com muito cuidado. Ficaste ali na sala mesmo ao meu lado mas eu não te podia tocar, cheirar, dar a mama, vestir, mudar a fralda, etc etc. Aquelas coisas que, mesmo sendo a 3 vez que o iria fazer a um recém nascido, eu queria fazer isso pois eras a minha filha.

Os teus irmãos chegaram e, um a um, foram fazendo visitas muito curtas na tua caixinha e eu, sem me poder mexer para te poder tocar como queria e ter-te no meu colinho. Ao final do dia, e a muito custo (dores de cesariana lol) lá me levantei (depois de insistir com a médica que conseguia  queria fazê-lo, e com a promessa de que iria numa cadeira de rodas), lá fui ter contigo. Que linda que eras! Tão perfeitinha e tão minha. Os teus níveis de oxigénio estavam ótimos mas, por precaução e como se aproximava a noite, o neonatologista do período noturno decidiu manter-te lá por mais umas horas. Que facada que me deu. Pese embora soubesse que era para teu bem, e que até poderia dormir mais descansada durante a noite, não era isso que eu queria. Afinal de contas mesmo sem ti ao meu lado eu não dormi à mesma. A enfermeira deixou-me pegar em ti e dar-te a mama. Que maravilha sentir-te a quereres leite da tua mãe. Eu estava fraca mas por ti ficaria ali a noite toda a dar-te colinho. Que mãe não o faria!

De manhã acordei o teu pai às 6h manhã. Pedi-lhe para irmos tomar banho pois queria ir-te buscar. Isto porque durante a noite tinha telefonado para lá e já estavas boa, sem fios, sem oxigénio, sem nada. Só não te fui buscar a essa hora pois não me conseguia mexer sozinha- Lá fomos e trouxemos-te para junto de nós, aquele pedaço de espaço transformado em quarto de alojamento temporário para nós. Era sábado e os teus irmãos iriam novamente ver-nos. Desta vez já poderiam tocar-te e sentir-te tal como qualquer criança gosta de fazer. E que mimos que os teus irmãos te dão. Eles são fantásticos. És mesmo a menina lá de casa. Raras são as vezes em que eles discordam de ti. Fazem-te as vontades todas. Vezes sem conta o teu irmão salvador te pergunta:

-Pipa, quem é a menina mais bonita do mundo?

E tu, se não respondes, ele diz de imediato:

– A pipinha!!!!! 😊

Que fofos que vocês são. Adoras o João pois ele gosta de brincar contigo e que tu faças de médica e cures as quedas deles.

No domingo de manhã pedi muito à médica para me vir embora. Ela, muito reticente, questionou-me se não estaria melhor ali. Tinha tudo o que precisava, até o Filipe dormiu lá comigo. Mas faltavam-me os teus irmãos. Estavam com a avó, em quem confio até de olhos fechados e sei que toma conta deles como ninguém. Mas não era a mesma coisa. Lá me fez prometer que não iria fazer esforço nenhum e ao final do dia vim embora. Foste dos 3 filhos aquele que se adaptou melhor. Já estávamos tão ligados uns aos outros que te aceitamos melhor ainda. Foste uma bênção e só tenho a agradecer poder ser tua mãe. As horas que passamos juntas naqueles 4 meses, as viagens que fizemos para ir buscar os manos ao colégio, o orgulho que eles sentem quando te vêm, as peripécias que fazem para te poder ver a rir e a ser feliz, não quero nunca, mas nunca, esquecer isso. Foram 4 meses muito intensos e que tenho tanta saudades deles.

Terás as tuas birras, as tuas «neuras», as tuas alturas de miúda rebelde como eu também o fui. Estou preparada para elas e serei, nessa altura, como qualquer mãe que só quer que sejas feliz, a tua melhor amiga mesmo que tu não percebas isso de imediato.

Serás sempre a nossa pipinha e só desejo que sejas tão feliz quanto aquilo que eu ambiciono para ti. Afinal, a felicidade não se compra. Obtém-se e deseja-se! E eu só quero isso. Que sejas tão feliz como desejas. Que saibas que a felicidade depende de ti e de quem te rodeia. Rodeia-te sempre dos melhores para te tornares ainda melhor. Sem ganância mas com muita ambição, eu desejo que sejas sempre assim.

Do lado de cá tudo farei para te ensinar  o melhor.

Julgo que nunca tinha contado este episódio desta forma mas, achei que passados 2 anos já estava preparada para isso.

Aqui fica esse registo, num espaço que pretendo manter para sempre e que sirva para vocês irem lendo :).

 

Keep in touch,

E.R.

 

 

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