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A Ciência e o Meio Ambiente!

3 Agosto, 2017

Hoje a Marta fala-nos da biodegradabilidade dos produtos, neste caso específico do calçado.

Materiais biodegradáveis: Do laboratório para os nossos pés!

A indústria do calçado é considerada, atualmente, uma das mais importantes para a economia nacional. O aumento da população tem como consequência o aumento da produção de todo tipo de bens, e o calçado não é exceção. A evolução da indústria do calçado refletiu-se no aumento da produtividade e no valor bruto da produção mas também na procura de materiais que podem contribuir para um ambiente mais sustentável.

Deste modo, o desenvolvimento de materiais biodegradáveis tem sido alvo de destaque por parte dos investigadores, que se aliam a empresas de calçado, para a produção de materiais eco-friendly.

Mas afinal o que são materiais biodegradáveis?

Entende-se por biodegradável o material que se decompõe através de processos biológicos naturais. Certos materiais podem ser destruídos no ambiente através da ação de microrganismos vivos (exemplos: fungos, bactérias e algas) na presença de oxigénio, dióxido de carbono, água, sais minerais e biomassa. Assim, os materiais biodegradáveis não se acumulam nas cadeias alimentares, pois sofrem um processo de degradação no meio ambiente com relativa rapidez. Por outro lado, o processo de decomposição de um material não biodegradável é muito lento, originando uma acumulação de resíduos prejudiciais para o meio ambiente.

Os materiais usados na indústria do calçado são biodegradáveis?

A maioria dos materiais usados neste setor não são biodegradáveis e por isso permanecem muito tempo no ambiente. Por exemplo, a decomposição do couro, um dos materiais mais usados, pode demorar entre 25 a 40 anos. Desta forma, para protegermos o ambiente é necessário incorporar, com maior frequência, materiais biodegradáveis nos vários processos produtivos.

 

Quais são os materiais biodegradáveis que podem ser usados para produzir o nosso calçado?

Uma das tendências neste setor é a produção de calçado mais ecológico. O mercado assim o exige, uma vez que os consumidores estão cada vez mais conscientes e sensibilizados para as questões ambientais e procuram produtos mais sustentáveis. Este facto tem conduzido à procura de alternativas mais ecológicas, como os materiais biodegradáveis. Alguns exemplos são:

Fibras vegetais, que podem ser obtidas a partir de frutos, folhas e cascas (exemplos: Algodão, Juta, Sisal, Linho, Cânhamo, Cortiça, Borracha natural, Bambu, Côco, etc.).

Biopolímeros, que são produzidos por seres vivos e constituídos por açúcares, aminoácidos e nucleótidos. Alguns destes materiais apresentam potencial para aplicação na indústria do calçado, podendo ser usados como material para saltos devido à sua rigidez. O poliuretano apresenta as propriedades apropriadas para utilização como material para as solas.

Fibra animal, que se obtém a partir de fontes de origem animal como bovinos, as quais podem dividir-se em quatro grupos principais: lã, pêlo, crina e seda natural.

Apesar das fibras animais serem biodegradáveis, devemos sempre optar pelas opções anteriores, uma vez as fibras de origem vegetal e os bio polímeros não contêm componentes de origem animal.

No mercado, já se encontram marcas de calçado que, de alguma forma, colaboram para a sustentabilidade. Quer pela utilização de produtos naturais e processamentos não tóxicos, quer pela prática da reciclagem e da reutilização. Contudo, ainda não se encontra calçado que seja totalmente fabricado com materiais biodegradáveis.

É necessário continuar a investir nesta área para que, no futuro, seja possível usarmos sapatos que não contribuam de forma negativa para o meio ambiente!

 

Para ficarem a saber mais sobre este tema visitem:

https://ionline.sapo.pt/302956

https://greensavers.sapo.pt/2013/10/nae-a-marca-de-sapatos-portuguesa-com-filosofia-vegan-ecologica-com-fotos/

http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2016-02-23-Industria-nacional-aposta-em-sapatos-biodegradaveis-na-Feira-de-Calcado-de-Milao

http://www.fct.unl.pt/en/node/20707

 

 

 

Marta Oliveira Barbosa

 

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