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A Ciência e o Ambiente #2

28 Junho, 2017

 

Olá!

A qualidade de vida das pessoas e, em particular, a sua saúde é influenciada pelo ar que respiram. As preocupações associadas aos efeitos negativos que a qualidade do ar pode acarretar têm, geralmente, em consideração a poluição exterior, ou seja, o ar que respiramos nas ruas… Contudo, as pessoas passam a maior parte do dia (80 a 90%) em ambientes interiores (habitações, local de trabalho, escola, atividades culturais e de lazer, etc.). Estes espaços são propícios ao aparecimento de um conjunto de problemas de saúde e bem-estar físico, devido ao desenvolvimento de microrganismos, ao uso de produtos de limpeza, à existência de materiais e equipamentos potencialmente poluentes, à própria ocupação humana e ainda à insuficiente ventilação e renovação do ar. É importante salientar que estes fatores contribuem para que o número de poluentes, bem como a sua concentração sejam, na sua maioria, mais elevados do que no ar exterior. Sim, por muito estranho que possa parecer a poluição do ar não é exclusiva das grandes cidades ou das zonas onde existem muitas indústrias. A atmosfera das nossas habitações, locais de trabalho e escolas pode estar tão (ou mais!) poluída do que o ar exterior.

Assim, a qualidade do ar interior (QAI) tem vindo a despertar um interesse crescente ao nível da comunidade científica, tendo sido alvo de inúmeros estudos que reforçam a evidência dos diversos e complexos efeitos da QAI na saúde pública. A maior parte dos estudos publicados recentemente incidem em escolas e jardins de infância, uma vez que as crianças são um dos grupos populacionais mais vulneráveis.

(notícias sobre esta problemática: http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-01-05-Qualidade-do-ar-mau-ambiente-na-escola e https://noticias.up.pt/ar-interior-das-escolas-mais-diversificado-para-prevenir-alergias-em-criancas/)

Mas afinal quais são os poluentes do ar interior e as suas fontes?

Os compostos orgânicos voláteis (COV) e o formaldeído são libertados de fontes similares, como por exemplo do mobiliário presente nos espaços interiores, isolamentos, tintas, colas e detergentes utilizados para limpeza;

O dióxido de carbono deve-se à respiração dos ocupantes e os níveis excessivos deste gás relacionam-se com o número elevado de pessoas dentro do mesmo espaço e à insuficiente renovação do ar;

As partículas finas resultam das poeiras exteriores, produtos de papel, vestuário dos ocupantes e, no caso de escolas do pó de giz que ainda é usado para escrever nos quadros;

As bactérias e fungos provêm, principalmente, das pessoas que ocupam os espaços interiores, de paredes húmidas e mal ventiladas e, no caso específico da Legionella, das condutas de água e circuitos de refrigeração dos sistemas de climatização.

Os efeitos que estes poluentes têm na saúde são inúmeros e diferem de acordo com o tipo de poluente. Alguns exemplos mais comuns são a dor de cabeça, a irritação ocular e das vias respiratórias, cansaço, náuseas e diminuição da capacidade de concentração. A exposição prolongada a estes poluentes pode originar problemas mais graves como asma, bronquite, pneumonia, doenças cardiopulmonares e cancro pulmonar.

Desta forma, é muito importante agir e implementar medidas para que estes efeitos sejam evitados e/ou minimizados. Estas medidas são simples e passam por arejar os espaços, abrindo as portas e janelas algumas vezes por dia (caso não seja possível recorrer a ventilação artificial), diluir os detergentes em água, aspirar o chão em vez de o varrer, limpar o mobiliário com um pano húmido, abrir torneiras durante 10 minutos (de semana a semana), entre outras. A adoção de pequenas medidas preventivas no nosso dia-a-dia pode melhorar a qualidade do ar que respiramos dentro dos edifícios e, consequentemente, a nossa saúde!

 

Marta Oliveira Barbosa

 

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