Get To Know

A despedida!

9 Janeiro, 2018

Hello!

Os motivos deste artigo em nada se coadunam com o normal teor de assuntos aqui abordados. Mas não podia ficar indiferente à perda de uma das melhores companhias que já tive nos últimos anos. Até há bem pouco tempo tinha duas cadelas da raça labrador a viverem cá em casa. A mais velha, quase com 13 anos de nome Natura é branca, e a Zara, com quase 12 anos é de cor preta.

A Zara já nos havia pregado algumas partidas ao longo da sua vida. Com 2 anos de vida foi atropelada na rua, a alguma distância de nossa casa, e deixada ao abandono perto de um contentor de lixo na via pública. Sorte que alguém a conheceu e nos avisou. Saí do trabalho à pressa e levei-a à veterinária que reencaminhou logo para uma clinica em Guimarães onde ficou internada perto de 1 semana. Duas patas partidas, uma delas a traseira e que levou mais de um mês a recuperar. Cirurgias, RX, platina, recuperação, ferros… enfim, uma carga de trabalhos conjuntamente com muito amor e paciência ditaram que ela recuperasse totalmente e que continuasse a ser uma cadela feliz, junto dos donos e da Natura.

Com o nascimentos dos nossos filhos a coisa não esmoreceu. Sempre primamos a que se dessem todos bem e que em nada sentissem a entrada de mais um e outro bebé cá em casa. Claro que isso não pode ser feito tal e qual como dizemos e falamos, mas acreditem que tentamos que em nada fossem alteradas as rotinas com os cães cá por casa.

Há uns meses atrás a Zara teve um hematoma numa das patas traseiras. Feito o diagnóstico ouvimos o que não queríamos ouvir. Massa a crescer sem qualquer controlo e havia urgência em retirar o tumor. Marcada a cirurgia lá fomos e acabou por correr tudo bem. Recuperação um pouco lenta, achava eu, mas sempre com paciência lá resolvemos a coisa. Já eu grávida do terceiro filho e era o Filipe que tratava de tudo. Curativos na clínica quando a coisa nos parecia mais complicada, o restante éramos nós cá em casa que tratávamos.

2 a 3 meses mais tarde a coisa complicava de novo e a massa maligna voltou a crescer exatamente no mesmo local. Lá fomos novamente ter com a nossa veterinária de sempre, a Dora Rocha , que pacientemente nos explicou que uma cirurgia não resolveria o problema pois ela estaria já com outros tumores no restante corpo e que o melhor seria não sujeitar a bicha a mais sofrimento em cumulativo com a idade avançada que já carregava. Decidimos que ainda queríamos ficar com ela mais um tempo (com todas as condições dignas de vida) e que de facto ali, naquele momento, depois de ouvirmos aquilo, a decisão não poderia nem deveria ser tomada tão rápido.

Trouxemos a Zara para casa e sempre conscientes de que o fim dela estaria próximo mas sempre imaginando que esse próximo seria dali a muito tempo. Os mimos passaram de afetos a sentimento de pena de cada vez que olhávamos para ela. Fomos alertando os miúdos para o que seria um cenário possível, sem pressões e stress e, muito menos, sem data marcada. Íamos dando sempre a desculpa de que ela ainda queria viver e de que o olhar dela ainda era de quem queria estar cá mais um tempo. A decisão já estava tomada. Ela só tinha que nos dar um sinal de que estava na hora. Não queria carregar nos ombros a culpa de ter escolhido a data da morte e não lhe ter dado tempo para despedidas. Fogo, a bicha viveu comigo 12 anos. Fiz sempre tudo para que fosse feliz. A melhor ração, os melhores veterinários, as melhores coleiras para pulgas, vacinas sempre em dia, os melhores cuidados médicos, o melhor mimo, as tardes de domingo passadas cá dentro de casa em frente à lareira. Nunca mais lhe vou poder dar isso.

Nos ultimos dois a três dias o respirar dela tornou-se diferente e já não queria ir à rua sequer urinar. No domingo passeamos um pouco com ela mas já não foi a mesma coisa. Cansou-se muito e, num olhar apenas, eu e o Filipe tomamos a decisão. Combinou-se com a veterinária e ontem à noite aconteceu o que mais temia. Queria tanto que fosse sereno e acabou por ser mais do que isso. Foi uma despedida com muito choro, não nego, com o Filipe sempre a dar-lhe colo, mas foi tão sereno que acredito que ela no fundo nos agradeceu toda a sua vida naquele minuto de preparação. Quisemos assistir e acompanhar tudo até ao fim (mesmo com as tentativas que o Filipe utilizou para me demover de estar presente em parte por estar já com 33 semanas de gravidez e poderia ser violento para mim), e não me vou nem posso arrepender.

Desculpa zara se a decisão não foi a melhor. Desculpa se não ficaste mais umas semanas para conheceres a bebé Filipa. Desculpa se algumas vezes te dei palmadas em pequena por fazeres buracos em todo o lado no jardim cá de casa. Desculpa por te colocar de castigo de cada vez que fugias para os quintais dos vizinhos quando vias o portão aberto ou saltavas a rede. Desculpa por tudo. Trouxe-te comigo, já sem vida, e ficarás para sempre ali fora, mesmo ao lado do local onde gostavas de apanhar sol. Nunca te vamos esquecer! A natura está farta de te procurar 🙁

Obrigada Dora Rocha por seres assim. Desde pequenina que a acompanhas e agora em adulta foste uma veterinária e um ser humano incrível. Ainda bem que existem pessoas como tu para lidar com pessoas como nós, apaixonados pelos animais e que só querem que eles, dentro da dignidade canídea, possam ser equiparados a seres existenciais nas vidas de quem os ama.

 

 

Keep in touch,

E.R. e Filipe Dias

 

 

Artigos relacionados

2 Comentários

  • Comentar Maria 9 Janeiro, 2018 at 10:35

    Lamento pela perda e quanto a mim fizeram o melhor por ela.
    Beijinhos

    • Comentar Elsa Rocha 10 Janeiro, 2018 at 9:57

      Obrigada Maria.
      Beijinhos
      Elsa

    Deixe um comentário