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A Ciência e o Meio Ambiente #1

21 Junho, 2017
farmacos e ambiente

Hello!

Hoje damos início a uma nova rúbrica denominada «A Ciência e o Meio Ambiente». Será assinada pela Marta Barbosa que, além de ter efetuado o mestrado integrado em engenharia do ambiente, atualmente se integra no primeiro ano do programa doutoral de engenharia química e biológica na FEUP. O tema que ela escolheu para esta semana foi este:

Medicamento: benéfico para o Homem, mas… quais as consequências para o Meio Ambiente?

As consequências do uso de compostos farmacêuticos como medicamentos pelo Homem e pelos animais estão, atualmente, asseguradas através de legislação que obriga a indústria farmacêutica a realizar diversos estudos para que os possíveis efeitos secundários nos seus utilizadores sejam avaliados. Por outro lado, os efeitos que esses compostos podem ter no meio ambiente são ainda pouco conhecidos.

A presença de fármacos no ambiente tem sido alvo de grande destaque nas últimas décadas por parte da comunidade científica. Estes compostos podem ser introduzidos no meio ambiente por diversas vias, como por exemplo: uso veterinário/pecuária, descargas de indústrias farmacêuticas e hospitais, descarte indevido de medicamentos e, principalmente, através das descargas das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Depois de serem consumidos, apenas uma percentagem do fármaco é absorvida pelo organismo, sendo a restante excretada nas fezes e urina e encaminhada para as ETAR urbanas. Os sistemas de tratamento implementados nas ETAR não são, até ao momento, capazes de eliminar completamente todos os fármacos presentes na água residual afluente, sendo estes descarregados nos cursos de água que servirão de fonte de extração de água para consumo humano.

Muitos grupos de investigação, em todo o mundo (incluindo Portugal!), começam a alertar para presença de produtos farmacêuticos nas águas residuais, rios, mar e até mesmo na água de abastecimento. A lista dos fármacos detetados é vasta e envolve todo o tipo de classes farmacêuticas, tais como antibióticos, antidepressivos, hormonas, analgésicos, anti-inflamatórios, etc. As concentrações detetadas nos cursos de água são consideradas baixas (na ordem de partes por milhão e partes por bilião), muito inferiores às doses médicas, pelo que não devem acarretar implicações ao nível da saúde humana. Mas será isto verdade? E no ambiente, que efeitos terão?

Existem duas classes cujos efeitos já são conhecidos, nomeadamente, as hormonas utilizadas em contracetivos e na terapia de substituição hormonal e os antibióticos. As primeiras, mesmo em quantidades muito baixas atuam como desreguladores endócrinos, interferindo na função reprodutiva e no desenvolvimento dos organismos aquáticos. Por sua vez, os antibióticos, podem originar estirpes de bactérias resistentes tornando-os ineficazes no tratamento de algumas doenças (era pré-antibióticos).

Assim, é muito importante que sejam adotadas medidas com vista à minimização da ocorrência de fármacos no ambiente. Estas medidas passam não só pela monitorização e otimização do funcionamento das ETAR, no desenvolvimento de novas tecnologias para a sua completa remoção, mas também na sensibilização de toda a população. O uso dos medicamentos deve ser feito de uma forma consciente, evitando doses exageradas, a automedicação e entregando sempre os medicamentos excedentes e as suas embalagens na farmácia para que possam ser convenientemente descartados!

Marta Oliveira Barbosa

 

 

 

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